01/07/2006 - Report: Visita a Saints

A subida no bonde.

Sras e srs, após um tempo de preguiça e moleza deste que vos escreve, aí vem mais um episódio pitoresco da nossa aventura.

Num belo final de semana, a empresa nos emprestou o carro para conhecermos as redondezas, o nosso amigo Pascal ( nosso gerente ) nos indicou uma montanha aqui pertinho.

Compramos um mapa e nos aventuramos pelas estradas suíças. Conhecemos a cidade de Appenzel, e seguimos em direção a Schwägalp, o lugar no pé da montanha. Vejam a foto.



Tínhamos 2 opções de subida, o bonde ( parecido com o do pão de açúcar , to falando isso pq eu só vi em foto, nunca entrei no danado ) e ir a pé. A pé seria mais ou menos umas 4, 5 horas montanha acima (não pra nós, pq acredito que gastaríamos pelo menos o dobro do tempo ), então optamos pelo bonde ( só pra vcs terem uma idéia do preço, equivale a uns 60 reais, por cabeça ).

Eu nunca tinha andado de bonde na vida, ainda mais segurado por 2 cabos, subindo até 2400 m de altura... ma vamo lá...

10:37 – entram os 3 no bonde, Alex, Rivaben e Gallazzi.
10:40 – entra o operador do bonde e o treco começa a andar....
10:41 – saímos da plataforma... a velocidade era baixa... e o Alex fala: se for nesse pique, chegamo lá em 40 min....
10:42 – foi ele falar isso e o treco acelera.... minha nossa!!!!!!
10:43 – e subindo... e subindo....



10:44 – sensação de descida de serra, quando o ouvido entope...
10:45 – “Caraca, é alto pra kct isso aqui”.
10:46 – Gallazzi tirando foto do estacionamento...

10:47 - Rivaben não ta com uma cara mto boa....
10:48 – Entramos num nevoeiro ferrado, nao dava pra enxergar nada...
10:50 - De repente, muda o nível do bonde, aparece uma vista maravilhos da montanha cheia de neve, um vale maravilhoso em cima da montanha ... lindo demais!!!! Um monte de gente lá em cima...
10:51 – Gallazzi com a camera na mão tirando foto de tudo!!!
10:52 – TRAM... o bonde dá um tranco e para ao lado de uma torre ....
10:52:01 – Rivaben: “Puta merda, é uma escada de bombeiro, eu não desço nessa merda nem ferrando!!!! Era uma torrezinha... a pelo menos uns 30 metros de altura... dentro da montanha, olhamos pra baixo e só nevoeiro....



10:52:10 – “Só falta agora me falarem preu descer, vocês descem, eu fico aqui em cima... não desço nessa escada de jeito nenhum...”

10:52:15 – O Rivaben, c tá bem ae fio? – To não cara... não to bem não...
10:52: 30 – Sobem duas moças pela escadinha... entram no bonde...
10:52: 40 - Continuamos a subida....

Senhores... eu não tenho palavras pra descrever o que é a vista de lá de cima... só sei que fiquei com vontade de chorar... e o gelo???? E aquele povo andando lá no meio??? Confesso que fiquei com medo de descer onde o Alex foi... tinha uma corda de segurança, mas....

Simplesmente maravilhoso... e essa só tem 2400 m.... tem umas aqui com mais de 4000 !!!!

Reparem na foto que a gente tá com gelo na mão... o senhor q vem vindo atrás... ele deve ter mais o menos uns 60 anos... e tá ali... ele e sua esposa... na montanha... e se bobear, subiram a pé... IMPAGÁVEL!!!!!




Escrito por Rodrigo Gallazzi às 12h07
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Quando eu descobri o futebol... - Parte 2 de 2

O tempo passou e mantive a convicção sobre a bandeira azul e branca ensolarada. Até torci para o Brasil em 1998 e em 2002. Mas confesso que me sentia desempolgado porque achava desmerecedores times individualistas como a seleção canarinha. Tudo que eu aprendi na vida é que um grande talento não faz um time mas um forte espírito de luta e união pode fazer brilhar um time talentoso. Nunca admirei, portanto, a cobertura dada aos jogos da seleção e o excesso de mérito dado a todos eles, milionários-jogadores. Não posso generalizar, claro. Mas a impressão geral que sempre tive (e tenho) foi essa.

 

Mesmo assim, algo não se encaixava na minha torcida pela Argentina e desgosto pelo Brasil. Nunca havia conseguido compreender. Nunca até a Copa de 2006.

 

Confesso, me empolguei com os hermanos vencendo de 6 mas não fiquei tão triste com a queda diante da Alemanha. Até então tinha visto quase todos os jogos e estava tremendamente insatisfeito por ter perdido tanto tempo da minha vida com jogos tão ruins. Acho que a série B do Brasileirão é bem mais empolgante. Fui assistir o jogo do Brasil e França mais por obrigação de torcedor do que por qualquer outra coisa. Ao fim do jogo eu estava, de forma anormal, mais uma vez, estasiado pela vitória francesa! Mas eu sabia porque! Acho que foi este o jogo que me fez entender de uma vez por todas que eu nunca torci para a Argentina assim como eu nunca torci para o Brasil.

 

Eu torço para o futebol. Eu torço para a beleza deste esporte que tantas emoções consegue causar: a união das pessoas em torno de algo saudável; o esquecimento dos problemas e dilemas políticos, financeiros e sociais. Eu amo este esporte e torço por ele.

 

No apito final, eu vibrei. Vibrei pelo maestro Zidane. Foi de encher os olhos ver ele jogar o que jogou, depois de ter anunciado a sua aposentadoria e tudo mais.

 

Era o brilho que faltava na Copa. Brilho que já foi de Pelé, de Garrincha, de Maradona, nesta, foi de Zidane. O único jogador capaz de nos fazer ajeitar na cadeira, o único a fugir da mesmice de jogadas pré-estipuladas, o único a mostrar que o futebol realmente é uma arte.

 

Nesta Copa eu não fui Brasil, nem tampouco Argentina. Eu fui França, eu fui Zidane. O artista que construiu algo que nem o momento de destempero da final pode apagar. Aliás, não queremos mesmo heróis; queremos artistas,  gênios que precisem mesmo oscilar entre brilhantismo e romantismo em suas ações.

 

Adeus, Zizou, obrigado por nos lembrar que o futebol pode ser emocionante e sublime!



Escrito por Alexandre Rivaben às 17h12
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Quando eu descobri o futebol... - Parte 1 de 2

* uma breve pausa na viagem para filosofar sobre o futebol. Para que não gosta, desculpe mas eu queria compartilhar isto com vocês.

 

Eu não sou fã da violência. Assim como não apoio qualquer atitude racista, homofóbica, ou que seja de uma ou outra maneira discriminatória.

 

Eu sou fã de futebol. E apesar de brasileiro torço para a Argentina desde a Copa de 1990. Na verdade, eu achava que torcia para a Argentina.

 

Quando Maradona desfilou na zaga brasileira e tocou para Caniggia marcar, eu senti algo que havia sentido, em termos de futebol, poucas vezes na vida. A minha primeira recordação de sensação neste sentido foi quando o Carlos tomou o gol do Platini, em 1986, quebrando um recorde pessoal que o goleiro estava buscando e me lembro que o narrador – era o Galvão? – fazia questão de lembrar de minuto em minuto, pouco tempo antes do fiasco brasileiro daquela época. Depois, veio o lance de 90. Eu vibrei, de forma anormal, mas eu vibrei. Mas não sabia ao certo o porquê.

 

Isso eu só fui entender, ou melhor, achar que entendi, na copa de 1994, quando torci para  o Brasil mas continuava olhando de canto de olho para a vizinha e arqui-rival Argentina.

 

Depois disso, passei a acompanhar o futebol argentino com maios apreço. Busquei por algum tempo saber por que o gol de 90 tinha mexido tanto comigo. Comecei a perceber que os jogadores argentinos, chamados pela impressa brasileira de excessivamente viris e desleais, eram na verdade orgulhosos de sua nação. Não eram tão badalados quanto os jogadores tetra-campeões do mundo e por isso davam o sangue em campo, lutando a cada minuto. Tempos mais tarde passei a observar a torcida: que diferença para a torcida da maioria dos times brasileiros! Lá, parece que os torcedores apóiam todo o tempo, independente do resultado, do placar ou do jogador. Aliás, passei a sentir que não há sequer uma noção individualista em cada equipe: todas elas jogam para o todo. Estava explicado o porquê de eu torcer para os hermanos.

 



Escrito por Alexandre Rivaben às 17h11
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Visita a Rapperzwill - Parte 5

Pausa para um momento de reflexão cultural.

 

Desde que chegamos aqui, nos deparamos com uma pequena grande diferença cultural que nos foi sendo mostrada gradativamente, dia após dia, em principio alguns pequenos sinais imperceptíveis até que se volte a atenção para eles; finalmente, ganham proporções maiores a ponto de nos levar a refletir.

 

Caminhamos um terço da passarela, debrucei-me sobre uma leve sustentação de madeira e olhei para água. Neste exato momento em que refletia de forma conclusiva sobre uma sutil atitude que temos notado em todos os suiços: as relações que têm com as crianças; pudemos contemplar a mãe-pato e seu filhote.

 

Quando chegamos ao Bodensee (veja um dos primeiros posts) vimos diversas crianças caminhando ou pedalando – como os devidos ornamentos de segurança como capacete, cotoveleira e outros; sozinhas. Não vimos pais, mães, babás, nada. Apenas um grupo de crianças andando, hora cantarolando, hora sorrindo, só.

 

Depois disso passou a ser comum cruzarmos com pequenos andando de mãos dadas e mochila nas costas indo para a escola. Onde estavam os responsáveis? Ali, na nossa frente. Eles mesmos.

 

Antes de embarcar no trem para Rapperzvil, uma orbe juvenil apareceu na plataforma, os mais jovens deviam ter entre 6 e 7 anos, os mais velhos, uns 12. Estavam todos desacompanhados.

 

Entraram no trem, um homem apareceu falando como se fosse uma excursão. Mas não ficava ali os vigiando. Deixava-os cuidarem de si mesmos.

 

Enfim o trem partiu mas menos de 20 minutos depois, parou em um vilarejozinho onde mais crianças subiram. Os bancos, separados de 4 em 4, estavam quase todos cheios, tanto que, uma das novas passageiras mirins teve que se sentar junto de outras duas meninas desconhecidas. Ela o fez com tamanha presteza e naturalidade que nos deixou embasbacados: sentou-se, estendeu uma das mãos e falou em alto e bom som... algo que deve ser o nome dela. Simples. As crianças são extrovertidas e ensinadas a crescerem empiricamente, sem se privar de qualquer sofrimento já vivido pelos seus pais.

 

Ao olhar a mãe-pato, isso me ocorreu. Uma bela metáfora na vida social suiça refletida na atitude da mãe-pato deixando o filhote caçar sozinho. Sublime.

 



Escrito por Alexandre Rivaben às 16h53
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Visita a Rapperzwill - Parte 4

Logo que chegamos, descobrimos que tinhamos dois caminhos a seguir e, portanto, duas opções turisticas. O lago que banha parte do territorio suiço seguindo até Zurique e um Castelo com vista panorâmica no alto da cidade.

 

Fomos primeiro até o lago.

 

O que mais impressiona não é a beleza natural do lago mas como o homem pode ser educado a ponto de mantê-lo com tal esplendor. Eu imagino que existam lugares assim em outros pontos do mundo, com certeza o Brasil é um deles mas não consigo imaginar o convívio pacífico entre tão belo ecossistema e a cultura “descompromissada” do brasileiro, por exemplo.

 

O lago é enorme – não vou me atrever a colocar dimensões desta vez – e limpo. Absurdamente limpo a ponto de conseguirmos ver nitidamente cardumes de peixes, cisnes e até a cena que mais me admirei até aqui: uma mãe pata ensinando seu filho patinho a nadar e caçar com a cabeça debaixo d’água – vou falar mais desta história no próximo capítulo desta maravilhosa e cansativa caminhada.

 

 

Logo, avistamos uma espécie de tablado de madeira cortando o lago em quase toda a sua extensão: era uma passarela de aproximadamente 600 metros criada e mantida para a travessia de pedestres. Óbvio, ao lado existe uma ponte onde atravessam carros, há uma ciclovia e o pedestre pode caminhar em linha reta. Entretanto, a passarela, momumento histórico e valiosa construção turística, não foi destítuida de seu posto para dar lugar a modernidade; pelo contrário, foi restaurada para dar lugar a um belo passeio por cima das águas límpidas do Zurich See.

 



Escrito por Alexandre Rivaben às 16h46
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O Ranking dos Chocolates (3) - Lindt Extra Milk

Pausa para o intervalo.

 

Minha nossa. Esqueçam tudo que vocês já ouviram falar de chocolate. Pelo menos o que vocês me ouviram falar de chocolate. Este chocolate é tudo de bom. Deixa todos os outros no chinelo. Minha nossa. Nem sei como descrever a sensação. O chocolate é cremoso, tem um sabor meio caseiro e não é nem um pouco adocicado – apesar de ter mais leite que o normal. Agora eu entendo o que falavam do Lindt. Sucesso absoluto.

Dizem que tem no Brasil. Não sei quanto custa. Aqui uma barra desta da foto sai em torno de R$ 6,00. Vale o preço. Hmmmmmmmm....

 



Escrito por Alexandre Rivaben às 18h28
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Visita a Rapperzwill - Parte 3

Lá embaixo conseguimos entender um das placas e ficamos aguardando o trem que chegaria as 11:03. Isso mesmo, onze horas e três minutos. De repente, ouvimos um barulho. Olhamos para o relógio. Pontualíssimo mas, diacho, não tem nada de laranja neste trem.

 

- “Acho que não é esse não hein rapaiz!” – Gallazzi, com cara de interrogação.

- “Agora nós vamos nesse mesmo”

 

Entramos no trem.

 

E não é que estávamos certos? Chegamos a Rappenzvil: o destino de nossa viagem.

 

Mas, o que seria aquela cor que a mulher falou? “Laranja”. Será que era algum código secreto para entrarmos na terra do nunca? Alguma senha para não suspeitarem que éramos brasileiros perdidos? Nome de grupo terrorista? “Os laranjas da Suiça”. Chocolate? Caramelo? Laranja? Estes pensamentos povoavam minha mente de incertezas e indagações idiomáticas.

 

Mas quando o trem parou, elas evaporaram. O importante é que havíamos chegado e voltar era um pequeno detalhe.

 

Agora era só admirar...

 



Escrito por Alexandre Rivaben às 18h25
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Visita a Rapperzwil - Parte 2

Em princípio, tentamos ver as placas. Tentativa inútil porque quem inventou o alemão o fez para discordar do inglês, do português e de quem quer que seja. Cada palavra tem 3 metros de comprimento e é formada por uma cadeia continua de quatro, cinco, seis consoantes! Seis consoantes seguidas! Não é um som para ser falado, é para ser grunhido!

Tivemos que entrar na fila e esperar, pensando que o nosso inglezinho mixuruca fosse ajudar. Realmente ajudou. Gaguejei uma pergunta em inglês e a atendente da bilheria desatou a falar. Olhei para o Gallazzi e ele parecia interessado. Ótimo. Saquei o dinheiro do bolso e recebi em troca um ticket. Resumo da ópera: sai da bilheteria com um ticket na mão, 31 francos a menos no bolso e duas palavras na mente: “andar de baixo” e “laranja”; as duas palavras que eu entendi do nosso produtivo diálogo.

 

Viro para o Gallazzi e ele faz cara de conteúdo, parecendo meditar. Depois, em seu ápice de sabedoria botucatuense, acena com firmeza:

 

“- Vamos para baixo, pegar o trem laranja!”



Escrito por Alexandre Rivaben às 18h22
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Visita a Rapperzwil - Parte 1

Depois de um período sem conseguir sentar para escrever devido a lugares turísticos, trabalho, chuva, caminhada, caminhada, viagens, caminhada, preguiça, caminhada (não necessariamente na mesma ordem), estou de volta para contar-lhes da nossa última aventura do domingo.

Neste momento creio que perderei um pouco a ordem cronológica com que vinha relatando os fatos e também farei deste texto um relato mais fiel das minhas emoções, de modo que não mais apenas descreverei fatos mas tentarei abordá-los da forma como eles me foram sentidos.

 

Domingo, 9 de julho de 2006.

 

Saimos de casa cedo. Eu e o Gallazzi. Em direção a Banhof, a estação de trem. O destino era incerto não tanto pelo percurso que já traziamos traçado em nosso silencioso caminhar. Íamos sozinhos, preparados para uma primeira viagem em um país lindo e desconhecido. A simples decisão de tomar um trem para outro lugar não parece importante para a vida de ninguém. Mas foi para nós. Nos sentiamos livres mas prisioneiros de nossa própria falta de iniciativa e inabilidade comunicativa. Algo nos pressionava contra este sentido de forma que ficávamos sempre a mercê de outras opiniões e decisões; tornamo-nos tímidos e oprimidos por força de nossa própria ausência de auto-estima e conhecimento cultural.

Mas não no domingo. Tinhamos que provar para nós mesmos que estávamos aptos para uma simples viagem de trem. Estávamos determinados a conseguir isto...

 



Escrito por Alexandre Rivaben às 18h17
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